ODEIO SER POBRE

(de Cláudio Caramante)

SINOPSE    
Carlos Alberto mora num apartamento alugado num bairro pobre de São Paulo com a segunda esposa, que é vinte anos mais nova, com o filho delicado do primeiro casamento e a mãe que é guia espiritual trambiqueira. Ele tem como objetivo mudar sua vida radicalmente porque acredita que só o dinheiro traz felicidade, ele odeia ser pobre. 
Tudo começa no dia em que as dificuldades da família chegam ao limite: todas as contas atrasadas (água, luz, telefone, condomínio), aviso de despejo, a mãe de Carlos Alberto bate o carro da família que está sem seguro e é o único bem, o filho Carlinhos assume ser homossexual transformista e para completar ele acaba de ser demitido. 
De repente, um milagre: um tio rico, que Carlos Aberto nunca conheceu, Borbinha Gato, resolve dividir sua fortuna ainda em vida, mas antes quer conhecer a família para saber se realmente são merecedores. 
Acontece que Borbinha é casado
com a megera Prochaska Gato, uma psiquiatra louca, preconceituosa e conservadora que defende idéias como o homossexualismo ser uma doença incurável e inaceitável, que qualquer culto religioso, principalmente aqueles que invocam entidades, são abominações. 
Agora Carlos Alberto precisa convencer a família a fingir que estão dentro dos padrões de normalidade da doutora Prochaska para receber a herança do tio Borbinha.  
O problema é que a família se recusa à comprar a idéia do patriarca e as maiores confusões acontecem quando o tio rico e a esposa psiquiatra louca chegam.

PROPOSTA DE ENCENAÇÃO

    A proposta do espetáculo é mostrar as relações familiares sob a ótica da comédia. A construção das histórias dos personagens, assim como a de sua personalidade teve grande influência dos princípios do sistema desenvolvido por Constantin Stanislavski, principalmente os elencados em seu livro “A Preparação do Ator”. 
Aparentemente superficiais, observa-se cada personagem construído e direcionado de acordo com suas experiências de vida: o jovem de origem humilde e ambicioso, a esposa perdida num mundinho de dona de casa, a senhora idosa que quer aproveitar a vida e já não se preocupa com o julgamento alheio, o jovem homossexual que precisa se assumir. 
Todos entrelaçados na realidade e nas dificuldades do dia a dia das pessoas que precisam batalhar muito para sobreviver: o ônibus e metrôs lotados, a falta de dinheiro no final do mês....   

SOBRE O TEXTO

O texto foi construído a partir das pesquisas de estereótipos de personagens que agradam o público de todas as idades e com cunho comercial. 
A proposta é fazer com que a história se desenvolva a partir dos objetivos específicos e , muitas vezes opostos de cada personagem, os quais a partir do momento que se encontram, desenvolvem ações individuais e conjuntas que desencadeiam o caos cômico absoluto. 
Cada cena cria uma nova situação de desafio aos personagens, gerando um crescimento constante da tensão que acaba levando a momentos impagáveis, característica marcante do gênero comédia. 
É importante ressaltar que o autor criou um texto sem palavrões, oque tem sido utilizado apelativamente por muitos autores para fazerem o público rir. 
O texto é ágil e lúdico, oferecendo diversos acontecimentos que ocorrem ao mesmo tempo. Desta forma, sua linguagem é extremamente popular. Em alguns momentos reflete preconceitos ainda existentes nos dias atuais, assim como outros problemas sociais.